RELATO: Fiquei anos com um homem impotente porque tinha pena de terminar

A empregada doméstica Beth*, 53 anos, estava há mais de quatro anos com Pedro, 54, quando ele descobriu um câncer na próstata. Depois da cirurgia para a retirada do tumor, ele ficou impotente e não admitia transar de outras formas.

Fonte: MARIE CLAIRE - Em Geral - 12/08/2019 11h 07min

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RELATO: Fiquei anos com um homem impotente porque tinha pena de terminar
Com pena de romper com o amante, de quem gostava, ela acabou ficando dois anos e meio sem sexo. Até que ele finalmente terminou a relação.

"Minha vida amorosa sempre foi meio complicada. Não tive muita sorte nas vezes em que fui viver com alguém: em todas elas, acabamos nos separando quando estávamos juntos por três anos. Foi assim também com o pai do meu filho, com quem fiquei até os meus 24 anos. Ele saía com tudo quanto era tipo de mulher. Até noivo de outra ele ficou, enquanto morava comigo -- a irmã dele me contou.

 

Em 2010, quando eu estava com uns 44, conheci o Pedro*. Eu gostava muito de comer churrasquinho, e tinha um na esquina da minha rua, na Zona Norte do Rio. Toda sexta-feira eu passava lá: comia alguns, tomava três latinhas de cerveja e ia embora. Ele também estava sempre por lá e passou a me olhar, me paquerar, e a gente a começou a sair.

 
Ele era um ano mais velho que eu e trabalhava nos Correios. Ficávamos juntos a semana quase toda: terça, quinta, sexta e sábado. Ele morava perto de mim e saíamos muito à noite, íamos a barzinhos. A gente ficava muito tempo junto, mas, depois de um ano, comecei a estranhar: ele nunca dormia lá em casa. Ficava até umas três da manhã, mas não passava a noite comigo. Fiquei desconfiada. Um dia, perguntei e ele admitiu: era casado e tinha uma filha.

Como eu ficava muito sozinha, decidi continuar com ele mesmo assim. Eu tenho um filho, mas ele já era grande... Hoje tem 28 anos. Pedro e eu passeávamos muito, ficávamos bastante tempo juntos. Então aceitei aquela situação.

O trabalho dele exige que ele faça exames todo ano, um check-up geral. Então, um dia, há uns quatro anos, Pedro foi fazer e descobriu que estava com câncer na próstata. O médico falou que havia 95% chance de ele ficar impotente depois da operação. Por conta de burocracias do plano de saúde, a cirurgia só aconteceu uns três meses depois.

Ele ficou um mês de repouso, sem trabalhar. Depois de passado esse tempo, ele mesmo foi notando que as coisas estavam diferentes. Não conseguia fazer mais nada. Mas ainda ficou com esperança, porque o médico tinha dito que existia um remédio que poderia ajudar. Ele comprou, usou, mas não deu certo. Não subia.

Ele ficou arrasado. E a gente ficou namorando sem fazer nada, porque ele não tinha mais ereção. Era uma situação muito chata, constrangedora. Ele não queria transar mais. Eu dizia: ‘A gente pode transar de outro jeito'. Mas ele não aceitava, se sentia mal, chorava. Aí eu fui fazendo do jeito que ele escolheu: a gente só saía, ia para barzinho, depois cada um ia para a sua casa, sem sexo. Era igual a namoro adolescente.

Ficamos dois anos e meio nisso. Eu tinha vontade de transar, e ele não queria. E as pessoas que me conheciam falavam: ‘Nossa, você é muito boba. Você é nova, bonita para ficar nessa.’ Eu ficava pensando na possibilidade de sair com outra pessoa. Às vezes, sentia vontade, até porque ele era casado. Mas, ao mesmo tempo, não tinha coragem de terminar com ele. Eu ficava com pena situação em que ele se encontrava. Fico pensando se não era um castigo para ele, que era casado e traía a mulher.

Há um ano e meio, ele terminou comigo. Falou que não achava justo empatar a minha vida, que eu era muito nova para ficar naquela situação. Disse que ia me deixar, e passou a frequentar uma igreja evangélica. Na hora, fiquei triste, porque gostava dele. Ficamos sete anos juntos. Mas, por outro lado, fiquei aliviada. Eu ia ficar livre para conhecer alguém com quem eu pudesse ter um relacionamento normal.

Eu trabalho muito, chego tarde em casa e quase não saio. Saía muito com o Pedro, mas, depois que nos separamos, parei. Poucos meses depois de terminarmos, começou uma obra na vila onde eu moro. Um rapaz que estava trabalhando nela, o Ricardo*, começou a puxar papo comigo. Ele logo falou que gostou de mim e começamos a sair.

Depois de tanto tempo em um namoro sem sexo, me senti feliz. Como o Ricardo estava trabalhando na minha vila e morava em Caxias, me pediu para ficar dormindo na minha casa até acabar o serviço. Foi espertinho (risos). Quando terminou, fui conversar com ele: ‘Agora, é cada um na sua casa, porque eu não quero morar junto.’ Aí ele falou que estava gostando de mim e que queria viver comigo. Eu disse: ‘Então quero conhecer a sua família.’

Fui na casa da mãe dele, conheci ela, os irmãos, todo mundo. Ele tem um filho de 15 anos. Resolvi dar uma chance para mim e para ele. Ele tem 43 anos e estamos juntos desde então, há um ano e três meses. Parece que está dando tudo certo, mas para mim um casamento nunca passa dos três anos, então vamos ver. Conviver não é fácil. Eu sou muito organizada e independente, e isso às vezes atrapalha. Você quer que a pessoa seja igual a você e não é assim, né? Estou tentando me acostumar com isso, porque ele é muito desorganizado. Mas pelo menos romance não falta."

 

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